Entrevista: “É preciso romper com a educação fragmentada”

Nossa entrevistada é Paty Fonte, educadora especialista em pedagogia de projetos, escritora, autora do livro “Projetos Pedagógicos Dinâmicos: a paixão de educar e o desafio de inovar”, publicado pela editora Wak, autora e tutora de cursos presenciais e on-line de educação continuada a docentes, coach, palestrante. Além disso ela é idealizadora e diretora dos sites Projetos Pedagógicos Dinâmicos e Cursos Projetos Pedagógicos Dinâmicos. Confira a seguir como foi a conversa.

Por que é importante para o professor realizar projetos em sala de aula?

Vivemos um momento de rápidas transformações nas formas de ser, viver, relacionar-se. Principalmente pelo grande avanço das tecnologias e dos os meios de comunicação. É praticamente impossível planejar e definir com antecedência o que deve ser aprendido. O ensino tradicional, aquilo que Paulo Freire chamava de “educação bancária” não condiz com a sociedade atual globalizada e multimídia.
Através da pedagogia de projetos é possível: Atualizar fontes de informações e desenvolver novos talentos/competências em todas as áreas, impedindo que as defasagens aumentem; Desenvolver atitudes e valores para a convivência com autonomia e cooperação; Desenvolver novas habilidades para uma mesma profissão cujas atividades variam e se transformam rapidamente; Desenvolver competências que permitam também mudanças de uma profissão para outras emergentes, no curso da vida.
A função do projeto é favorecer a criação de estratégias de organização dos conhecimentos escolares em relação ao tratamento da informação, e a relação entre os diferentes conteúdos em torno de problemas ou hipóteses que facilitem aos nossos alunos a construção de seus conhecimentos.
Ao realizar projetos o professor muda de postura passando a ser também aprendiz. Todos os membros da comunidade escolar são responsáveis pelo bom desenvolvimento do projeto, assim o aluno sente-se motivado e valorizado.

Paty Fonte

Você acredita em um ensino sem a realização de projetos?

Eu acredito em um ensino que seja prazeroso, dinâmico e significativo, vinculado a vida real. O que só acontece quando o professor o realiza com paixão e compromisso de buscar novas estratégias, de pesquisar, de se colocar no lugar do aluno e não como detentor do saber absoluto. Essa é uma proposta da pedagogia de projetos, mas possível de ser realizada através de outras metodologias e/ou filosofias semelhantes, como: Vivencionismo, Pedagogia do Parangolé – proposta pelo Prof. Marco Silva, entre outras que unem Freinet, Piaget ou até mesmo os sete saberes de Edgar Morin.

Quais os resultados que você mais vê na Aprendizagem Baseada em Projetos e como o professor pode começar a aprender sobre o assunto?

Trabalho há mais de 15 anos elaborando projetos pedagógicos e/ou didáticos, tendo resultados que vão além das expectativas. Sou especializada no assunto, porém, sempre me surpreendo e me emociono trabalhando com projetos.
O trabalho com projetos não se trata de uma técnica atraente para transmitir aos alunos o conteúdo das matérias. Significa repensar a escola, seus tempos, seu espaço, sua forma de lidar com conteúdos das áreas e com o mundo da informação; significa pensar na aprendizagem como um processo global e complexo; significa romper com um modelo fragmentado de educação e recriar a escola, transformando-a em espaço significativo de aprendizagem para todos que dela fazem parte, sem perder de vista a realidade cultural especifica de seus alunos e professores.
Os resultados são alunos entusiasmados, freqüentando a escola com prazer, buscando conhecimentos também fora da escola, integrando as famílias e mobilizando a comunidade. Isso faz com que a escola se torne um ambiente agradável e acolhedor.
Para aprender sobre o assunto basta dedicar-se a leituras e pesquisas. Existem sites, livros, revistas e cursos livres. Muito material bom disponível gratuitamente ou por valores módicos. Em seguida, não ter medo de errar. Colocar um projeto em prática exige coragem e ousadia. É um trabalho profundo, imprevisível, que exige determinação, compromisso, pesquisa. Nem sempre os resultados são imediatos, não é fácil, mas possível e extremamente gratificante.

Seu livro chama-se “Projetos Pedagógicos Dinâmicos” conte um pouco mais sobre este conceito e todos os educadores podem trazê-lo para a sala de aula ou vale apenas em determinados contextos?

O livro tem o mesmo nome do meu site – existente desde 2001. Tanto site quanto o livro surgiram na luta contra a simples transmissão de conhecimentos prontos e acabados, apresentando novas estratégias, sugestões de atividades originais, reflexões pertinentes, soluções criativas e práticas bem sucedidas. Meu objetivo é que o livro seja um apoio constante aos docentes em serviço. Sem dúvida todos os professores podem dinamizar suas aulas e realizar projetos de trabalho, todavia, para tal é fundamental o apoio da direção e coordenação da escola e a união do corpo docente.

Confira também o blog de Paty Fonte Paixão por educar e seu twitter.

About these ads

Sobre Instituto Crescer
Fundado em outubro de 2000, o Instituto Crescer para a Cidadania tem como missão atuar como agente transformador, criando oportunidades de crescimento e desenvolvimento de pessoas e organizações, rumo à cidadania.

4 Responses to Entrevista: “É preciso romper com a educação fragmentada”

  1. Debora Noemi Inouye disse:

    Bem interessante a entrevista.

    Gosto quando a autora diz que o trabalho com projetos significa romper com um modelo fragmentado de educação e recriar a escola. Acredito que esta seja mesmo um dos principais benefícios do trabalho com/por projetos.

    • Graciliana Prado disse:

      Também gostei muito da entrevista e concordo que o trabalho com projetos dinamiza o ensino em todos os sentidos, faz sair da rotina e permite construir novas abordagens educacionais, novos caminhos e os alunos aprendem melhor, sentem prazer naquilo que participam e ajudam a consruir

  2. Claridete Coelho Augusto Molina disse:

    Estou sensibilizada com o trabalho com projeto em sala de aula. Inicio um projeto sobre musicalização na aprendizagem de autonomia profissional dos professores que coordeno na E M Criança Esperança de Nova Guataporanga. Montarei um portifólio reflexivo e no final do ano letivo avaliar se consegui atingir o objetivo com professores autonomos e criativos.
    Seu artigo foi muito importante para direcionar esta ação pedagógica.
    Sucesso
    inté +

  3. Rosângela Alves Gomes disse:

    Concordo plenamente com a Paty quando diz que:
    “O trabalho com projetos não se trata de uma técnica atraente para transmitir aos alunos o conteúdo das matérias. Significa repensar a escola, seus tempos, seu espaço, sua forma de lidar com conteúdos das áreas e com o mundo da informação; significa pensar na aprendizagem como um processo global e complexo; significa romper com um modelo fragmentado de educação e recriar a escola, transformando-a em espaço significativo de aprendizagem para todos que dela fazem parte, sem perder de vista a realidade cultural especifica de seus alunos e professores.”

    A função hoje, da escola, a meu ver, é a de agregar os saberes. Passamos muito tempo, tempo demais, ensinando de um modo compartimentado, achando que a mente humana é dividida em caixinhas. Cada caixinha com um mestre para ajudar a selecionar o conteúdo a ser guardado nela.

    Esquecemos que as diferentes ciências e ramos do conhecimento dialogam mais do que se excluem. As divisões existentes são importantes para garantir o avanço das pesquisas de especialistas. Isso fez com que a humanidade em especial. a partir do sec. XX, fosse capaz de construir mais e mais conhecimento e tecnologia. Mas também nos colocou diante de grandes desafios éticos.

    Portanto, precisamos, no interior da escola, reaprender a arte do diálogo. Cada um contribuindo com seu conhecimento específico com a certeza de que o grande conteúdo a ser estudado é a vida e que nosso aluno é único e ao mesmo tempo, global.

    Precisamos abraçar, então, no interior das escolas, a idéia de que metodologias globalizadoras não significam um ensino superficial, genérico. Ao contrário, são caminhos que buscam juntar as partes num todo harmônico e que para isso requerem, via de regra, um aprofundamento maior nos conteúdos de ensino e um envolvimento maior de todos que participam do processo.

    Um forte abraço,
    RôGomes

Deixe uma resposta

Preencha os seus dados abaixo ou clique em um ícone para log in:

Logotipo do WordPress.com

Você está comentando utilizando sua conta WordPress.com. Sair / Alterar )

Imagem do Twitter

Você está comentando utilizando sua conta Twitter. Sair / Alterar )

Foto do Facebook

Você está comentando utilizando sua conta Facebook. Sair / Alterar )

Foto do Google+

Você está comentando utilizando sua conta Google+. Sair / Alterar )

Conectando a %s